Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Assédio moral no trabalho

2. Conceito de assédio moral no trabalho

O fenómeno do assédio moral não é novo no mundo do trabalho. No entanto, o seu estudo é recente. A nível europeu, vários estudos existentes só surgiram a partir dos anos oitenta. De modo semelhante, a realização de conferências para abordarem este tema são igualmente um acontecimento recente. Isto revela um maior interesse pelo fenómeno.

O que é o assédio moral no trabalho? “É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e a éticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinados, destabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego”

 

 

3. Perfil dos Assediadores

É ainda possível traçar o perfil dos assediadores, com base nos relatos feitos pelos trabalhadores, assim temos o:

  • Profeta: exalta as suas qualidades e a sua missão é enxugar a máquina, demitindo indiscriminadamente mas humilha com cautela e reservadamente;
  • Pitt-bull: agressivo, violento e perverso nas palavras demitindo friamente e que humilha por prazer;
  • Tigrão: esconde a sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público;
  • Troglodita: brusco que não admite discussão e não aceita reclamações;
  • Garganta: não conhece bem o seu trabalho mas vive contando vantagens e não admite que saibam mais que ele;
  • Grande-irmão: primeiro protege para depois atacar, ou seja, aproxima-se e mostra-se sensível aos problemas de cada um e de seguida usa o que sabe para rebaixar ou demitir.

 

4. Tipos e etapas do assédio moral

Dentro das organizações, do mundo do trabalho, encontramos diferentes tipos de assédio que ocorrem em vários níveis hierárquicos e com autores distintos.

  • Assédio vertical descendente (proveniente da hierarquia), ou seja, procedimentos abusivos de um superior para com um subordinado. A subordinação hierárquica pode induzir o superior a tirar partido do seu poder abusando dele e tendo prazer em submeter o subordinado à sua vontade;
  • Assédio horizontal (proveniente de colegas). Este tipo de assédio é frequente quando dois colegas disputam um lugar ou uma promoção;
  • Assédio misto (um assédio horizontal que passa a assédio vertical descendente). O assédio horizontal prolongado e sem interferência da hierarquia, que desta forma se torna cúmplice, passa a ser um assédio vertical descendente;
  • Assédio ascendente (proveniente de um ou mais subordinados que assediam um superior).

O assédio vertical descendente é aquele que ocorre com maior frequência e do qual decorrem consequências mais graves, quer físicas, quer psicológicas, para o assediado. Isto porque é uma situação que se desenrola entre um subordinado e um superior hierárquico, o que aponta para uma relação de desigualdade. Daqui resulta que o subordinado se sinta isolado e tenha dificuldades em encontrar recursos para resistir ao assédio.

 

5. Etapas do “Mobbing”

  • Isolar: quebrar todas as alianças possíveis. Desde, a vítima não ser convidada para as reuniões formais e informais, ser posta num espaço físico isolado e só, privada de informação, ficar sem acessos privilegiados no seu computador, etc. Tudo isto a torna mais vulnerável e debilita a sua posição no seu local de trabalho;
  • Vexar: atribuir à vítima tarefas inúteis ou degradantes, objectivos não concretizáveis, solicitar tarefas a executar fora do horário normal, exigir a realização urgente de tarefas que depois de realizadas não são valorizadas sendo até desprezadas, etc;
  • Empurrar o outro para cometer uma falta: é uma maneira habilidosa de desqualificar o outro e de seguida o criticar e justificar a sua despromoção. Isto origina na vítima sentimentos negativos. Passa a ter uma má imagem de si própria deixando mesmo de acreditar nas suas capacidades. Por vezes, estas

atitudes levam a vítima a revoltar-se e a ser agressiva o que o abusador aproveita para justificar o seu comportamento abusador;

 

6. Consequências do assédio moral

“O assédio moral pode ter repercussões negativas difíceis de contabilizar. Pode originar na vítima danos irreversíveis e, em casos extremos, poderá, inclusivamente, levar ao cometimento de suicídio”.

 

7. Enquadramento legal

Constituição da República Portuguesa no seu Artigo 25º (Direito à integridade pessoal):

1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.

2. Ninguém pode ser torturado, nem submetido à tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos.

Podemos concluir, de acordo com Rocha Pacheco (2007: 271) que o “assédio moral, como figura jurídica, ancora-se no direito fundamental à integridade moral do trabalhador, enquanto pessoa, reconhecido e garantido pela Constituição da República Portuguesa”.

 

8. Conclusão

O assédio moral, no ambiente de trabalho, é tão antigo quanto o trabalho mas é um fenómeno que tem vindo a agravar-se nos últimos anos.

Em resumo, podemos constatar que o processo de assédio moral no trabalho gera custos económicos, sociais e de saúde pública que afectam em primeiro os indivíduos, as organizações e de forma geral a sociedade.

 

Fontes: http://www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2007003.pdf e http://www.inverbis.net

publicado por Administração às 12:57
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